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Travessia

Tipo de projeto

vídeo performance

Data

2021

Local

apresentado na 1a Bienal de Joalheria Contemporânea de Lisboa | Setembro 2021

As flexões semânticas marcaram até aqui meu processo soavam:
“Holy-hole-whole, Triz, Tenuis, ausepresente, corte-quase”.

É a partir delas que articulo e ativo determinados assuntos que perpassam a resistência, resiliência, suspensão, presença, deslocamento, ausência e agora o luto.

Flexões semânticas e gestos empregados para dar corpo ao que é imaterial.

O buraco, o sulco, o corte, presentes pela maneira com que delineia relevos, luz, sombra, cheio e vazios, evidenciam a sutileza do lugar liminar. O espaço entre. Pele e veste, corpo e ar. Um lugar de descanso e tensão. Lugar da busca de um constante equilíbrio. Dinâmico.

Esses elementos que sempre deram vastidão e profundidade a seu trabalho, feito na escala do corpo, hoje são marcados pela cisão, pela ruptura, pelo dilaceramento.

A pandemia, o distanciamento. A perda da mãe, a cisão explosiva.
Nesses estilhaços as pontas são agudas, atravessar demanda cuidado. (Vide vídeo)

A ferida está aberta, a cicatrização é lenta, por isso o que cabe é delineá-la,
salvar espaço para reconhecer o que transborda. (Vide instalação)

Para além das bordas, as vestes. Memórias de uma intimidade tecida entre mãe e filha. Testemunho de presença, que revelam irreparável ausência.

O luto, intensamente particular, é também coletivo. Se é preciso uma aldeia para cuidar de um bebe, é ela novamente que vem abrandar o luto.

Na veste o sinal, daquilo que não tem palavra. No peito, em silencio o aro interno toca a pele. O encontro com o contorno externo tenciona a trama. Estica, estrutura, exaure. Nos bastidores, a inversão rebaixa o núcleo. O tecido toca a pele.

Nas roupas de minha mãe, o encontro entre dentro e fora é promovido pelos bastidores.
Bastidores, é também aquilo que não se vê, aquilo que está por trás das câmeras, das mascaras, das vestes, mas que deixa vestígio.

Vestígio este que marca uma geração inteira de pessoas que perderam sues familiares. Seja para a pandemia seja durante a pandemia isolar-se é preciso, sujeitar-se é precioso.

Viver é cuidar dos seus e arriscar-se.

Kika Rufino
2021

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